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Wednesday, October 27, 2004




© éme



É no meio da noite que melhor me sinto. A noite veste-me com uma inércia donde tenho certa dificuldade em regressar. Sinto-me a própria noite, tremo, e dentro da minha treva adormeceu toda a cidade. Não é possível roubar à vida um corpo nocturno. É demasiado escuro, pesado, e mal se vê e pressente. Só a luminosidade solar é capaz de o devorar, de o apagar. Será por excesso de luz que deixarei de ser. O meu corpo nocturno tem séculos de existência mas, mal desponta a madrugada, desgasta-se numa fracção de segundo.





Al Berto, in Lunário

posted by umapalavravazia at 15:39 | link | comments (3)
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